Sentir é curar
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Existe uma sabedoria silenciosa nas emoções que tentamos evitar. O medo, a tristeza, a raiva, o vazio — todos eles têm uma forma própria de pedir atenção. Quando nos afastamos do que sentimos, a vida interna começa a se embaralhar. O corpo pesa, a mente acelera, os sintomas se multiplicam. Mas quando nos aproximamos — de verdade — algo muda.
Sentir não é descontrole; é tradução. É o primeiro movimento de compreensão. Quando você se permite sentir uma emoção, ela deixa de ser um inimigo sem rosto e se torna uma experiência concreta. Ela ganha temperatura, textura, voz. Deixa de ser um monstro amorfo para se tornar algo que pode ser visto, nomeado e cuidado.
E é nesse gesto simples, porém corajoso, que começamos a entender por que ela veio. A tristeza aponta para uma perda. A raiva revela um limite violado. O medo nos mostra onde estamos vulneráveis. A ansiedade sinaliza que algo dentro de nós está vivendo sem espaço para respirar. Cada emoção traz um mapa — e sentir é começar a ler esse mapa.
Na terapia, esse processo se aprofunda. Você aprende a perceber o que acontece no corpo, a reconhecer padrões, a escutar sensações que sempre estiveram ali. A emoção que antes parecia um tsunami se torna uma onda possível de atravessar. O que antes parecia confusão se torna clareza.
Quanto mais você sente, mais você compreende. E quanto mais compreende, menos precisa fugir de si. A emoção deixa de ser ameaça e vira ferramenta de autoconhecimento. Uma bússola. Uma ponte entre o que você viveu e o que deseja viver.
É assim que nasce o caminho de cura: pela coragem de sentir primeiro — e entender depois.
