Quando a mente cala, o corpo fala.
11/21/20251 min read
Há momentos em que viver parece carregar um peso que não foi feito para um único par de ombros. A mente acelera, os pensamentos se atropelam, a ansiedade toma forma de tempestade. Ou então a energia some, a tristeza ocupa espaços silenciosos, e o prazer pelas coisas simples parece ter evaporado. É como se a vida estivesse acontecendo numa névoa.
E, no meio disso, o corpo vai tentando avisar. Ele fala antes mesmo de entendermos o que está acontecendo: o peito aperta, o estômago revira, a respiração encurta. A tensão volta todos os dias para o mesmo lugar, como um velho conhecido que nunca avisa quando chega. A fome aparece sem sentido, o sono foge, o cansaço vira companheiro fixo.
Esses sintomas não são “dramas”, nem fraquezas. São mensagens. São memórias que se expressam em forma de sensação porque, um dia, não puderam virar palavras. O corpo guarda o que a mente ainda não conseguiu elaborar — e guarda com uma precisão impressionante.
Traumas, dores antigas, marcas de relacionamentos difíceis, medos que aprendemos cedo demais… tudo isso se inscreve no corpo. A boa notícia é que também é pelo corpo que a cura começa. Quando finalmente escutamos essas sensações, abrimos espaço para entender o que elas estão tentando revelar.
Sentir é a matéria-prima do pensar. Antes de qualquer pensamento, existe uma experiência no corpo. Antes da explicação, existe o impacto. E quando reconhecemos esse impacto, quando damos nome às nossas dores e acolhemos o que foi vivido, começamos a transformar o que parecia impossível.
A terapia oferece esse território onde o sentir encontra voz. Onde sintomas se tornam histórias compreensíveis. Onde o corpo deixa de carregar sozinho o que a mente, aos poucos, aprende a elaborar.
É nesse encontro — entre sensação e palavra, entre corpo e consciência — que nasce a possibilidade de respirar diferente, viver diferente e, finalmente, se sentir mais inteiro.
